Estudantes pernambucanos levam projeto de energia limpa ao Paraguai

Três alunos da rede pública representam o estado em uma feira, Projeto se baseia na fotossíntese das plantas e já foi destaque em SP.

estudantesTrês jovens do Recife, que concluíram o ensino médio na Escola Estadual Martins Júnior, no bairro da Torre, na Zona Oeste, viajam no domingo (5) para o Paraguai. Eles vão representar Pernambuco numa exposição internacional de ciência, apresentando um projeto inspirado na natureza, que foi desenvolvido no laboratório de química da escola e já ganhou outros reconhecimentos em nível nacional.

Foi no Espaço Ciência, em Olinda, que os três conquistaram o primeiro lugar do prêmio “Ciência Jovem Espaço Ciência”, na categoria desenvolvimento tecnológico. Na ocasião, escolas públicas e particulares estavam na disputa, mas o projeto dos alunos da professora Joselma Maria da Silva se destacou. “Foram muitas teses, muitas leituras, muito tudo. Muitos testes, e fizemos de novo, com dias em que nada deu certo, dias em que tudo deu certo. Foram três anos nessa história”, contou Eduarda Luiza de Vasconcelos, uma das estudantes.

Baseado na fotossíntese das plantas, que transforma a luz do sol em energia, o projeto também usa a força solar, só que para produzir eletricidade. A ideia é parecida com as placas fotovoltaicas, que podem ser vistas em alguns pontos, no teto das casas, na produção de energia solar. As placas, entretanto, são de “silício”, um material muito caro, que poderia ser substituído por outro mais barato.

Para alcançar esse resultado no futuro, os alunos trabalham com fotocélulas – uma espécie de pilha que funciona quando exposta à luz. “Nós fizemos o vidro com substrato e, nele, adicionamos massa química, a partir da alizarina, que serve para tingir roupas, occitano e grafite. Imita o processo de fotossíntese na natureza, que dá açúcar às plantas. Mas aqui é energia elétrica.”, contou Caio Felipe de Araújo.

Com o trabalho, os alunos vão representar Pernambuco, ao lado de estudantes de outros estados, na Exposição de Ciência da América Latina, na cidade de Assunção, capital do Paraguai. O encontro vai durar uma semana, e os pernambucanos já embarcam neste domingo. “Não busco premiações, busco fazer amizades, mostrar o projeto, conscientizar as pessoas também”, falou o estudante Humberto Antônio Silva.

Em março deste ano, o projeto de Eduarda, Caio e Humberto e da professora Joselma foi destaque, em São Paulo, na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, realizada na Universidade de São Paulo (USP). O trabalho chamou tanta atenção que a universidade doou materiais para a escola onde eles estudaram.

O três estudaram na mesma escola de Alcides Nascimento que, em 2007, foi primeiro lugar na rede pública no vestibular da UFPE, passando no curso de biomedicina.  Alcides, que era filho de uma catadora de lixo, foi assassinado a tiros, na porta de casa, no dia 5 de fevereiro de 2010. Para a professora Joselma, o trabalho desenvolvido por alunos e por professores e colaboradores são exemplos que devem ser seguidos e uma mostra de que a escola pública tem muito do que se orgulhar.

“Quando faltam recursos, aumenta a criatividade das pessoas que trabalham. Dentro da escola pública, vai ter sempre alunos que querem e que não querem. Vários Alcides existem, basta descobrir; ou melhor, redescobri-los. A maioria entra sem acreditar em si mesmos. É um trabalho de ganho, conquista, de autoestima, de eles perceberam que podem fazer acontecer”, comemorou a professora Joselma.

Fonte: G1

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