Ventos do mundo podem garantir energia limpa até 2030, diz estudo

Turbinas em toda a superfície criariam 16 vezes mais energia que necessário. Maior potencial eólico está sobre os oceanos, segundo cientistas.
urbinas nos oceanos poderiam otimizar ganho de energia eólica, dizem cientistas (Foto: Jan Oelker/Repower/Divulgação)

urbinas nos oceanos poderiam otimizar ganho de energia eólica, dizem cientistas (Foto: Jan Oelker/Repower/Divulgação)

Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, afirma que as fontes de vento disponíveis no planeta são muito maiores do que as necessárias para suprir a demanda por energia de um modo limpo e econômico no mundo até 2030.

A maior parte do potencial eólico necessário está sobre os oceanos, afirmam os cientistas. Para determinar o potencial máximo de vento do planeta, eles criaram um modelo atmosférico em 3D, levando em conta o uso de turbinas de vento para extração da energia do ar circulante.

Os pesquisadores dizem que há um limite para a quantidade de energia que pode ser extraída da atmosfera. Eles calcularam qual seria o potencial eólico a 100 metros acima do nível do solo, altura média do eixo das turbinas de vento.

Pelo estudo, publicado no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America”, os ventos do planeta podem produzir mais de 250 terawatts se forem instaladas turbinas em toda a superfície do globo a 100 metros do solo.

O número equivale a mais de 16 vezes a energia consumida pela população do planeta em 2008. Já a 10 quilômetros acima do nível do chão, altura em que os ventos adquirem velocidade muito maior, a produção energética pode chegar a 380 terawatts. Em 2008, o consumo de energia em todo o planeta foi de aproximadamente 15 terawatts, segundo reportagem da revista “The Economist”.

Se for considerada apenas a superfície do planeta que é coberta por rochas e solo (sem levar em conta mares, rios e oceanos), e se forem instaladas turbinas também no litoral, a produção chegaria a 80 terawatts, segundo os pesquisadores.

 Ponto de saturação

Autores do estudo, os cientistas Mark Jacobson e Cristina Archer chegaram à conclusão que há um ponto de saturação para o número de turbinas usadas para extrair energia eólica. Segundo eles, no ponto de saturação nenhuma turbina consegue extrair mais de 59,3% da energia cinética do vento para transformá-la em elétrica.

Os cientistas calcularam que 4 milhões de turbinas operando a 100 metros do solo e produzindo 5 megawatts cada uma poderiam suprir uma demanda de 7,5 terawatts – mais da metade do que é consumido hoje em termos de energia elétrica no mundo.

Criar “fazendas de vento” em locais geograficamente escolhidos, com um número fixo de turbinas, pode aumentar a produtividade da energia eólica, diz a pesquisa. Os cientistas sugerem também aproveitar a colocação de turbinas nos oceanos e regiões marítimas para otimizar os ganhos com este tipo de energia.

Fonte: G1

Estudantes pernambucanos levam projeto de energia limpa ao Paraguai

Três alunos da rede pública representam o estado em uma feira, Projeto se baseia na fotossíntese das plantas e já foi destaque em SP.

estudantesTrês jovens do Recife, que concluíram o ensino médio na Escola Estadual Martins Júnior, no bairro da Torre, na Zona Oeste, viajam no domingo (5) para o Paraguai. Eles vão representar Pernambuco numa exposição internacional de ciência, apresentando um projeto inspirado na natureza, que foi desenvolvido no laboratório de química da escola e já ganhou outros reconhecimentos em nível nacional.

Foi no Espaço Ciência, em Olinda, que os três conquistaram o primeiro lugar do prêmio “Ciência Jovem Espaço Ciência”, na categoria desenvolvimento tecnológico. Na ocasião, escolas públicas e particulares estavam na disputa, mas o projeto dos alunos da professora Joselma Maria da Silva se destacou. “Foram muitas teses, muitas leituras, muito tudo. Muitos testes, e fizemos de novo, com dias em que nada deu certo, dias em que tudo deu certo. Foram três anos nessa história”, contou Eduarda Luiza de Vasconcelos, uma das estudantes.

Baseado na fotossíntese das plantas, que transforma a luz do sol em energia, o projeto também usa a força solar, só que para produzir eletricidade. A ideia é parecida com as placas fotovoltaicas, que podem ser vistas em alguns pontos, no teto das casas, na produção de energia solar. As placas, entretanto, são de “silício”, um material muito caro, que poderia ser substituído por outro mais barato.

Para alcançar esse resultado no futuro, os alunos trabalham com fotocélulas – uma espécie de pilha que funciona quando exposta à luz. “Nós fizemos o vidro com substrato e, nele, adicionamos massa química, a partir da alizarina, que serve para tingir roupas, occitano e grafite. Imita o processo de fotossíntese na natureza, que dá açúcar às plantas. Mas aqui é energia elétrica.”, contou Caio Felipe de Araújo.

Com o trabalho, os alunos vão representar Pernambuco, ao lado de estudantes de outros estados, na Exposição de Ciência da América Latina, na cidade de Assunção, capital do Paraguai. O encontro vai durar uma semana, e os pernambucanos já embarcam neste domingo. “Não busco premiações, busco fazer amizades, mostrar o projeto, conscientizar as pessoas também”, falou o estudante Humberto Antônio Silva.

Em março deste ano, o projeto de Eduarda, Caio e Humberto e da professora Joselma foi destaque, em São Paulo, na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, realizada na Universidade de São Paulo (USP). O trabalho chamou tanta atenção que a universidade doou materiais para a escola onde eles estudaram.

O três estudaram na mesma escola de Alcides Nascimento que, em 2007, foi primeiro lugar na rede pública no vestibular da UFPE, passando no curso de biomedicina.  Alcides, que era filho de uma catadora de lixo, foi assassinado a tiros, na porta de casa, no dia 5 de fevereiro de 2010. Para a professora Joselma, o trabalho desenvolvido por alunos e por professores e colaboradores são exemplos que devem ser seguidos e uma mostra de que a escola pública tem muito do que se orgulhar.

“Quando faltam recursos, aumenta a criatividade das pessoas que trabalham. Dentro da escola pública, vai ter sempre alunos que querem e que não querem. Vários Alcides existem, basta descobrir; ou melhor, redescobri-los. A maioria entra sem acreditar em si mesmos. É um trabalho de ganho, conquista, de autoestima, de eles perceberam que podem fazer acontecer”, comemorou a professora Joselma.

Fonte: G1

Tianjin Eco-City: China quer construir a maior cidade autossustentável do mundo!

 

A revolução no estilo de cidades autossustentáveis

Tianjin Eco City - imagem 1Tianjin Eco-City é um projeto colaborativo entre o governo chinês e o de Singapura que irá abrigar cerca de 350 mil pessoas. Considerado o maior do seu tipo, os planos para esta cidade verde surgiram devido ao amplo processo de urbanização que a China está passando — metade da população chinesa já reside nas cidades.

Com uma quantia de habitantes na casa dos bilhões, o governo chinês precisa estar atento às necessidades básicas dos cidadãos — que estão, a cada ano, saindo da parte rural e indo para os grandes centros. Moradia, água, comida, emprego e infraestrutura são os itens básicos e podem ser ainda melhor oferecidos se estiverem igualmente enquadrados no termo “sustentabilidade”.

Assim, surgiu a ideia de criar uma área urbana sustentável — ou “ecocidade”. Tianjin Eco-City se destaca das demais “ecocidades” já existentes pelo seu projeto ser ambicioso e gigantesco: ela terá praticamente a metade do tamanho de Manhattan (cerca de 30 Km²). Toda a sua estrutura fornecerá um baixo teor de carbono, muito verde e um estilo de vida mais saudável aos seus habitantes.

Master plan

Tianjin Eco City - imagem 2Com previsão de ser concluída em 2020, Tianjin Eco-City está estrategicamente localizada próxima a Pequim e a apenas 10 minutos de distância dos parques empresariais na Área de Desenvolvimento Econômico de Tianjin.

Para se tornar um exemplo marcante de “ecocidade”, este projeto chinês quis revolucionar até mesmo a escolha do local de construção. Para isso, ele está sendo desenvolvido em um terreno industrial que servia de depósito de resíduos tóxicos e onde há um dos mares mais poluídos do mundo.

Tianjin Eco City - imagem 3Segundo os desenvolvedores do projeto, tal decisão foi tomada com base na realidade de outras “ecocidades”. Até agora, a maioria era comumente construída em áreas ecologicamente importantes ou em terras férteis. Já a Tianjin Eco-City veio com um objetivo admirável: o de mostrar que é possível limpar e recuperar uma área poluída, tornando-a útil e agradável.

O projeto demorou três anos apenas para limpar a área. Durante o processo, foi necessário o desenvolvimento de uma tecnologia recém-patenteada que removeu os metais pesados de um reservatório que, daqui a algum tempo, se tornará um lago “saudável”.

Estrutura

Tianjin Eco City - imagem 4Focando no quesito “habitabilidade”, a Tianjin Eco-City terá parques e espaços verdes ao redor das suas estruturas, além de canaviais que também foram criados para atrair pássaros e auxiliar no processo de limpeza da água.

Os prédios estarão dentro das normas do “Green Building Evaluation”, uma referência única que os times de Singapura e da China desenvolveram especialmente para a cidade. Além disso, muitas construções estarão envoltas por coberturas que permitirão o uso da energia solar para que haja um equilíbrio térmico nos ambientes.

Para aperfeiçoar o funcionamento estrutural da cidade, um sistema coletivo de gestão de resíduos e reciclagem será introduzido e integrado ao processo de incineração, produzindo assim energia e minimizando a pressão sobre aterros.

Distribuição de água

O abastecimento de água é um dos principais destaques no projeto. Tianjin Eco-City estará localizada em uma área naturalmente árida e contará com um sistema que vai permitir aos moradores beber o líquido diretamente de suas torneiras.

Além disso, os lagos e os canos foram ornados em argila ou em concreto para prevenir que a água salgada penetre. O projeto vai ainda mais além e há planos para a criação de uma usina que realize a dessalinização da água.

A água de esgoto também será tratada para fornecer uma fonte suplementar, e um grande esforço está sendo feito para que a Tianjin Eco-City conte com um sistema de conservação de água, além da reciclagem do líquido para a irrigação e a reutilização em sanitários.

Vida saudável aos habitantes

Tianjin Eco City - imagem 5Neste ano, 60 famílias já estão habitando alguns dos edifícios da Tianjin Eco-City. Apesar de ainda faltar cerca de oito anos até o final das construções, os prédios que já abrigam moradores foram projetados para obterem um mínimo de padrão verde, com recursos que são considerados raros na China. Entre eles está a economia de água sanitária, janelas de vidro duplo e uma estrutura com orientação voltada ao sul, visando aperfeiçoar a temperatura interna.

Quanto ao transporte, os responsáveis pelo projeto afirmam que os carros não serão banidos. No caso, eles não pretendem criar obstáculos para as pessoas, apenas incentivá-las a utilizar transportes de baixo carbono ou mesmo a caminharem mais.

Para isso, todos os locais da cidade foram programados para serem “andáveis”, tanto a pé como de bicicleta, interligando e dando acesso a todas as áreas de uma maneira fácil. Além disso, instalações de recreação livres serão oferecidas a cada 500 metros de caminhada saindo de lugar da cidade.

Tianjin Eco City - imagem 6Os criadores da Tianjin Eco-City ainda pretendem fazer com que a cidade seja acessível a diferentes tipos de classe, afirmando que ser verde não é um luxo, mas uma necessidade. Por isso, um quinto das habitações será subsidiado para trabalhadores de baixa-renda.

Se tudo der certo até 2020, os responsáveis pela maior “ecocidade” autossustentável do mundo esperam que Tianjin Eco-City se torne um modelo para futuros esforços de urbanização, tanto na China como no restante do mundo.

Fonte: Tecmundo